sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Estrelas mais distantes da VIA LÁCTEA podem ter sido "ROUBADAS" de outra galáxia


Nesta imagem gerada por computador, a oval vermelha marca o disco da nossa Galáxia e o ponto vermelho mostra a localização da anã de Sagitário. O círculo amarelo representa as estrelas que foram arrancadas da anã e atiradas para o espaço. Cinco da 11 estrelas mais distantes conhecidas na nossa Galáxia foram provavelmente "roubadas" desta maneira.Crédito: Marion Dierickx/CfA


As 11 estrelas mais distantes conhecidas da nossa Galáxia estão localizadas a cerca de 300.000 anos-luz da Terra, bem para lá do disco espiral da Via Láctea. Uma nova pesquisa feita por astrónomos de Harvard mostra que metade dessas estrelas podem ter sido arrancadas de outra galáxia: a anã de Sagitário. Além disso, são membros de um longo fluxo estelar que se estende um milhão de anos-luz no espaço, ou 10 vezes o diâmetro da nossa Galáxia.

"Os fluxos de estrelas que foram mapeados até agora são como riachos em comparação com o rio gigante de estrelas que prevemos observar eventualmente," afirma a autora principal Marion Dierickx do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica. A anã de Sagitário é uma das dúzias de mini-galáxias que rodeiam a Via Láctea. Ao longo da história do Universo, completou várias órbitas em redor da nossa Galáxia. Em cada passagem, as marés gravitacionais da Via Láctea influenciavam a galáxia mais pequena, puxando-a e distorcendo-a como um elástico.

Dierickx e o seu orientador de doutoramento, o teórico Avi Loeb de Harvard, usaram modelos de computador para simular os movimentos da anã de Sagitário ao longo dos últimos 8 mil milhões de anos. Eles variaram a sua velocidade inicial e ângulo de aproximação à Via Láctea para determinar quais os cenários que melhor correspondiam às observações atuais. A velocidade de partida e o ângulo de aproximação têm um grande efeito na órbita, assim como a velocidade e o ângulo de um lançamento de um míssil afeta a sua trajetória," explica Loeb.

No início da simulação, a anã de Sagitário tinha uma massa na ordem das 10 mil milhões de massas solares, ou cerca de 1% da massa da Via Láctea. Os cálculos de Dierickx mostram que, ao longo do tempo, a infeliz anã perdeu cerca de um-terço das suas estrelas e um total de nove-décimos da sua matéria escura. Isto resultou em três fluxos estelares distintos que alcançam um milhão de anos-luz a partir do centro da Via Láctea. Os fluxos estendem-se até à orla do halo da Via Láctea e são das maiores estruturas observáveis no céu.
Além disso, cinco das 11 estrelas mais distantes na nossa Galáxia têm posições e velocidades que coincidem ao que seria de esperar de estrelas roubadas à anã de Sagitário. As outras seis não parecem ser de Sagitário, mas podem ter sido removidas de uma galáxia anã diferente.

Os projetos de mapeamento como o SDSS (Sloan Digital Sky Survey) traçaram um dos três fluxos previstos por estas simulações, mas não em toda a extensão que os modelos sugerem. Instrumentos futuros como o LSST (Large Synoptic Survey Telescope), que irá detetar estrelas muito mais ténues no céu, deverão ser capazes de identificar os outros fluxos.

"Existem lá fora ainda mais 'intrusos' de Sagitário, à espera de serem encontrados," comenta Dierickx. As descobertas foram aceites para publicação na revista The Astrophysical Journal e estão disponíveis online.
Fonte: Astronomia OnLine

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Agora é oficial: somos mesmo feitos de poeira de estrela

Uma pesquisa comprovou o que o astronômo Carl Saganjá falava havia tempos: os humanos realmente são feitos de poeira de estrela. Depois de analisar 1500 estrelas, astrônomos chegaram à conclusão de que tanto os seres humanos quanto os astros brilhantes possuem 97% do mesmo tipo de átomos. A reportagem é da revista Galileu. Segundo a reportagem, foi constatado ainda que os elementos essenciais para a vida como a conhecemos (hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre) são mais prevalecentes nas estrelas que estão no centro da galáxia.

Para saber quais elementos compõem as estrelas, os astrônomos usam uma técnica conhecida como espectroscopia.Cada elemento emite um comprimento de onda de luz diferente, é como se cada um tivesse sua própria marca. Assim, analisando cada “marca”, os cientistas conseguem distinguir de qual elemento é aquela emissão, que foi captada com um instrumento chamado espectrógrafoO espectrógrafo, neste caso, tem nome e sobrenome: trata-se do Apache Point Observatory Galactic Evolution Experiment (APOGEE), que fica no estado norte-americano do Novo México.
Fonte: YAHOO NOTÍCIAS

A ‘Estrela da Morte' de Saturno está incrível nesta foto tirada pela sonda Cassini

Esta é facilmente uma das melhores fotos já tiradas da Mimas, uma das luas de Saturno. A imagem revela as características de sua superfície e as sombras em sua cratera icônica. A sonda espacial Cassini capturou a imagem no dia 22 de outubro de 2016 a uma distância de 185.000 quilômetros. Cada pixel representa um quilômetro. A Mimas tem apenas 397,2 quilômetros de diâmetro e é o menor corpo no nosso sistema solar a ter um formato arredondado, resultado de sua própria gravidade. 

Os menores satélites do nosso sistema solar, como Hiperião e Phoebe, são irregulares e se parecem com batatas. A Mimas sempre é lembrada pela grande cratera causada por um impacto. Batizada em homenagem ao descobridor da lua, William Herschel, o buraco tem 130 quilômetros de diâmetro, abrangendo quase um terço do diâmetro do satélite.
© Foto: Lucasfilm e NASA A Estrela da Morte se parece com Mimas, mas é quase um terço menor.

A parede da cratera possui 5 quilômetros de altura em alguns pontos e a profundidade chega a 10 quilômetros. O pico de Herschel é quase tão alto quanto o Monte Everest. O impacto que gerou a cratera quase estraçalhou Mimas, produzindo fraturas no lado oposto da lua.  E como muito fãs de Star Wars apontaram, a cratera de Herschel faz com que Mimas se pareça um pouco com a Estrela da Morte. Para efeitos de comparação, a Estrela da Morte original de Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperançadeve ter 140 quilômetros de diâmetro, um terço do tamanho da Mimas e cerca de 1/25 avos da Lua da Terra. Ou melhor, a estação espacial do filme é quase do mesmo tamanho da cratera Herschel.
Fonte: MSN

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A Extraordinária Espiral em LL Pegasi

Crédito: ESAHubbleR. Sahai (JPL), NASA

O que criou a estranha estrutura espiral à esquerda? Ninguém tem a certeza, embora esteja provavelmente relacionada com uma estrela num sistema binário a entrar na fase de nebulosa planetária, quando a sua atmosfera externa é expelida. A enorme espiral estende-se por cerca de um-terço de um ano-luz e, dando quatro ou cinco voltas completas, tem uma regularidade sem precedentes. Dada a velocidade de expansão do gás em espiral, uma nova camada deverá aparecer a cada mais ou menos 800 anos, uma estreita correspondência com o tempo que leva para duas estrelas se orbitarem uma à outra. O sistema estelar que criou esta espiral é mais normalmente conhecido como LL Pegasi, mas também AFGL 3068. A própria estrutura invulgar foi catalogada como IRAS 23166+1655. A imagem em destaque foi captada no infravermelho próximo pelo Telescópio Espacial Hubble. O porquê da espiral, propriamente dita, brilhar, é um mistério, sendo que a hipótese mais provável é que está a ser iluminada pela luz refletida por estrelas próximas.
Fonte: ESA / NASA

Asteroide surpresa acabou de passar por nós na metade da distância da lua

Na manhã desta segunda-feira (9), um asteroide do tamanho de um prédio de dez andares quase esbarrou na Terra. A rocha, chamada de 2017 AG13  foi identificada apenas no último sábado pelo programa de monitoramento Catalina Sky Survey da Universidade do Arizona. Ela tem entre 15 e 34 metros de largura e passou pela Terra a 16km/s. O asteroide passou por nós na metade da distância entre a Terra e a Lua. Ele se moveu muito rapidamente, muito próximo de nós”, disse Eric Feldman, astrônomo da Slooh, companhia que divulga imagens ao vivo do espaço. “Ele passou pela órbita de dois planetas, Vênus e Terra”, complementou ele.

O que teria acontecido se o asteroide tivesse atingido a Terra? Pesquisadores da Universidade Purdue (EUA) criaram um simulador chamado Impact Earth! que examinou esta possibilidade, e os resultados sugerem que provavelmente não teria sido tão ruim quanto parece.
Se uma rocha porosa de 34 metros de largura tivesse atingido a Terra com um ângulo de 45 graus, teria simplesmente virado poeira quando atravessasse a atmosfera. O impacto seria suficiente para liberar 700 kilotons de energia, dezenas de vezes mais do que a bomba atômica de Hiroshima. Mas como isso aconteceria a uma altura de 16km, o som captado por nós aqui em baixo seria o equivalente ao que escutamos em meio ao tráfego pesado.
Segundo pesquisadores da universidade, impactos como este acontecem a cada 150 anos, mais ou menos. Slooh, porém, discorda, apontando que o 2017 AG3 tem o tamanho parecido com o asteroide que atingiu a Rússia em 2013 e assustou muita gente com a explosão de luz e com as milhares de janelas quebradas na cidade de Chelyabinsk.
Mark Sykes, diretor do Instituto de Ciência Planetária nos EUA, afirma que quase-esbarrões entre asteroides e a Terra não são raros. “Não é um evento tão incomum, e esse é um dos motivos que o torna tão interessante”, complementa ele. Apenas no mês de janeiro são esperados pelo menos 38 encontros próximos com asteroides parecidos com o 2017 AG3, de acordo com a NASA.
Enquanto o 2017 AG3 pode ter passado despercebido pelo NEOCam – o telescópio infravermelho responsável por detectar rochas espaciais maiores, de cerca de 140 m de largura –, a missão espera descobrir pelo menos 10 vezes mais objetos perto da Terra quando comparado com monitoramentos anteriores.
Fonte: Science Alert

Misterioso Planeta 9 pode ser um mundo desgarrado capturado pelo nosso sistema solar

O suposto Planeta 9, que alguns cientistas acreditam estar escondido muito além da órbita de Plutão, poderia ser um ex-planeta errante que foi capturado pelo nosso sistema solar em algum ponto no passado.  É muito plausível que o Planeta 9 seja um planeta errante – um mundo que cruza o espaço sem estar conectado a uma estrela – capturado”, disse o principal autor do estudo, James Vesper, da Universidade do Estado de Novo México, nos EUA.

Simulações

Os pesquisadores realizaram simulações de computador de 156 encontros entre nosso sistema solar e planetas errantes de vários tamanhos e trajetórias. Tais encontros podem não ser tão incomuns. Alguns estudos indicam que os planetas errantes podem superar os “normais” que circundam estrelas hospedeiras em toda a Via Láctea. As simulações sugerem que, em cerca de 60% dos encontros, o planeta “invasor” é lançado para fora do sistema solar. Destes, em cerca de 10% de todos os casos, o errante levaria pelo menos um dos planetas nativos do nosso sistema solar para longe com ele.
Já em cerca de 40% dos encontros, o errante acabaria sendo capturado pelo sistema solar. Isso pode acontecer por meio de uma “captura suave”, na qual nenhum planeta nativo é ejetado, ou o invasor poderia arrancar um ou mais mundos quando chegasse.

Planeta 9

A existência desse mundo foi proposta pela primeira vez em outubro de 2014 pelos astrônomos Scott Sheppard e Chadwick Trujillo. Eles observaram que a influência gravitacional de um mundo gigante não descoberto no sistema solar exterior poderia explicar esquisitices nas órbitas de vários objetos distantes, como o planeta anão Sedna.
Em janeiro de 2016, os astrônomos Konstantin Batygin e Mike Brown encontraram mais evidências de tal planeta nas órbitas de vários corpos no sistema solar exterior. Batygin e Brown apelidaram o mundo de Planeta Nove, e calcularam que ele possivelmente possui uma órbita altamente elíptica de 1.000 unidades astronômicas (AU) do sol.
Para colocar isso em perspectiva, 1 AU é a distância da Terra ao sol, ou cerca de 150 milhões de quilômetros. Netuno encontra-se a cerca de 30 UA do sol, e Plutão nunca fica a mais de 49 UA de nossa estrela.

Possibilidades

A órbita do Planeta 9 é consistente com a de um planeta errante. Mas os novos resultados da simulação não provam nada sobre as origens do mundo hipotético.
Na verdade, os astrônomos ainda têm de confirmar a existência do planeta – embora isso possa acontecer no início de 2017. Outros estudos consideram improvável a explicação do planeta errante, sugerindo que o Planeta 9 é um nativo do sistema solar, ou que o sol arrancou o mundo de uma outra estrela durante um encontro estelar há muito tempo.
Fonte: HypeScience.com

Quando as galáxias colidem

Essa delicada região meio que esfumaçada no espaço profundo, é de longe, muito mais turbulenta do que parece. Conhecido como IRAS 14348-1447, um nome derivado do projeto que o descobriu, o Infrared Astronomical Satellite, ou IRAS, esse objeto celeste é na verdade a combinação de duas galáxias espirais ricas em gás. Essa dupla se aproximou muito no passado, e a gravidade fez então seu trabalho, puxando uma para a outra lentamente, destruindo-as e as fundindo num só objeto. A imagem mostrada aqui foi feita pela Advanced Camera for Surveys, a ACS do Hubble.
O IRAS 14348-1447 está localizado a mais de um bilhão de anos-luz de nós. Esse objeto é um dos exemplos mais ricos em gás do que é chamado de galáxia infravermelha ultraluminosa, uma classe de objetos cósmicos que brilha de forma característica e intensa na parte infravermelha do espectro. Quase 95% da energia emitida pelo IRAS 14348-1447 está no infravermelho.
A grande quantidade de gás molecular dentro do IRAS 14348-1447 abastece sua emissão, e dá origem a um grande número de processos dinâmicos à medida que ele interage e se move, esses mecanismos são responsáveis, por exemplo para dar ao IRAS 14348-1447 sua aparência de redemoinho, criando estruturas como cauda e filamentos proeminentes que se estendem para longe do corpo principal das galáxias em fusão.

O VLT vai procurar planetas no sistema Alfa Centauri

ESO assina acordo com Breakthrough Initiatives

O ESO assinou um acordo com a Breakthrough Initiatives para adaptar a instrumentação do Very Large Telescope, instalado no Chile, visando realizar uma busca de planetas no sistema estelar vizinho Alfa Centauri. Tais planetas poderão ser alvos para eventuais lançamentos de sondas espaciais miniaturas pela Breakthrough Starshot initiative.
O ESO, representado pelo Diretor Geral Tim de Zeeuw, assinou um acordo com a Breakthrough Initiatives, representada por Pete Worden, Presidente da Breakthrough Prize Foundation e Diretor Executivo da Breakthrough Initiatives. O acordo atribui fundos para que o instrumento VISIR (VLT Imager and Spectrometer for mid-Infrared), montado no Very Large Telescope do ESO (VLT), possa ser modificado de modo a aumentar significativamente a sua capacidade de procurar potenciais planetas habitáveis em torno de Alfa Centauri, o sistema estelar mais próximo da Terra.
 O acordo atribui também tempo de telescópio suficiente para permitir a execução de um programa de busca dedicada em 2019. descoberta em 2016 de um planeta, Proxima b, em torno de Proxima Centauri, a terceira e menos brilhante estrela do sistema Alfa Centauri, dá ainda mais incentivo a esta busca.

Saber onde se encontram os exoplanetas mais próximos de nós é de extremo interesse para o Breakthrough Starshot, o programa de pesquisa e engenharia lançado em abril de 2016, que pretende demonstrar o conceito de “nano-sondas” ultra rápidas movidas a luz, que abrirão caminho para a primeira missão a Alfa Centauri, a qual poderá ocorrer dentro de uma geração.

Detectar um planeta habitável é um enorme desafio devido ao brilho da estrela hospedeira do sistema planetário, que tem tendência a ofuscar os planetas relativamente tênues. Uma maneira de tornar esta tarefa mais fácil é observar nos comprimentos de onda do infravermelho médio, onde o brilho térmico de um planeta em órbita reduz enormemente a diferença de brilhos entre o planeta e a sua estrela hospedeira. Mas, mesmo a estes comprimentos de onda, a estrela permanece milhões de vezes mais brilhante do que os planetas que pretendemos detectar, sendo preciso recorrer a uma técnica especial para reduzir a ofuscante luz estelar. 
O instrumento VISIR, que opera no infravermelho médio e está montado no VLT, terá a capacidade de fornecer um tal desempenho uma vez modificado para aumentar de modo significativo a qualidade de imagem através do uso de óptica adaptativa, e adaptado para utilizar uma técnica chamada coronografia, a qual permite reduzir a radiação estelar, revelando assim o possível sinal de potenciais planetas terrestres. A Breakthrough Initiatives financiará uma grande parte das tecnologias e os custos de desenvolvimento da experiência, enquanto o ESO fornecerá as capacidades e tempo de observação necessários.

O novo hardware inclui um módulo pedido à Kampf Telescope Optics (KTO), Munique, onde será colocado o sensor da frente de onda e um instrumento inovador de calibração de detectores. Adicionalmente, existem planos para o desenvolvimento de um novo coronógrafo, desenvolvimento esse que será executado em conjunto pela Universidade de Liège (Bélgica) e pela Universidade Uppsala (Suécia). 
Detectar e estudar potenciais planetas habitáveis em órbita de outras estrelas será um dos principais objetivos científicos do futuro European Extremely Large Telescope (E-ELT). Apesar do enorme tamanho do E-ELT ser essencial para a obtenção de imagens de planetas situados a maiores distâncias na Via Láctea, o poder coletor do VLT é suficiente para obter imagens de um planeta situado em torno da estrela mais próxima, Alfa Centauri.

Os desenvolvimentos aplicados ao VISIR serão também benéficos para o futuro instrumento METIS, que será montado no E-ELT, uma vez que as lições aprendidas e os conceitos utilizados serão diretamente transferidos para este instrumento. O enorme tamanho do E-ELT deverá permitir ao METIS detectar e estudar exoplanetas do tamanho de Marte situados em órbita de Alfa Centauri, se estes existirem, assim como outros potenciais planetas habitáveis que existam em torno de outras estrelas próximas.
Fonte: ESO

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Estudo contradiz principal teoria de formação da Lua

A Lua, companheira do nosso planeta há cerca de 4,5 bilhões de anos, pode ter sido formada pelo impacto de uma série de pequenos corpos com uma Terra embrionária, afirmaram pesquisadores nesta segunda-feira. Isso explicaria uma grande inconsistência na teoria dominante, segundo a qual a Lua é resultado de uma única e gigantesca colisão entre a Terra e um corpo celeste do tamanho de Marte. Segundo esta hipótese, cerca de um quinto do material da Lua teria vindo da Terra, e o resto do segundo corpo.No entanto, a composição da Terra e da Lua são quase idênticas - uma improbabilidade que há muito tempo intriga os defensores da hipótese do impacto único. O cenário de múltiplos impactos é uma forma mais 'natural' de explicar a formação da Lua", disse Raluca Rufu, do Instituto Weizmann de Ciências, em Rehovot, Israel, coautor do novo estudo, publicado na revista científica Nature Geoscience.
Tais impactos múltiplos teriam escavado mais material da Terra do que um único impacto, o que significa que os satélites resultantes se assemelhariam mais à composição do nosso planeta, disseram os autores do estudo. Rufu e uma equipe criaram quase mil simulações de computador de colisões entre uma proto-Terra e planetas embrionários chamados planetesimais, menores do que Marte. Teriam sido necessárias cerca de 20 dessas colisões para formar a Lua, concluíram os pesquisadores.
Cada colisão teria formado um disco de detritos ao redor da proto-Terra, que se aglomerariam para formar um pequeno satélite natural, segundo os autores. Estes pequenos satélites eventualmente se fundiriam, formando a Lua, acrescentaram. "Nas primeiras etapas do Sistema Solar, os impactos eram muito abundantes, por isso é mais natural que vários deles tenham formado a Lua, em vez de um em especial", disse Rufu à AFP. Acredita-se que nosso Sistema Solar se formou há 4,567 bilhões de anos, seguido pela Lua, cerca de 100 milhões de anos mais tarde. A teoria principal da formação da Lua foi proposta em meados da década de 1970.  Nos anos 1980, foram feitas as primeiras sugestões de que o satélite teria sido resultado de várias colisões. O novo estudo "reavivou o cenário até agora em grande parte descartado de que uma série de impactos menores e mais comuns, em vez de um único golpe gigante, formaram a Lua", escreveu Gareth Collins, do Imperial College London, em um comentário publicado pela revista. Construir a Lua desta maneira leva muitos milhões de anos, o que implica que a formação da Lua se sobrepôs a uma parcela considerável do crescimento da Terra", acrescentou.
Fonte: MSN NOTÍCIAS

Centro da galáxia espiral NGC 5033

A galáxia espiral NGC 5033 é conhecida como uma galáxia de Seyfert, por causa da grande atividade vista em seu núcleo. O astrônomo americano Carl K. Seyfert descobriu esse tipo de objeto em 1943. No seu centro, além da radiação térmica das estrelas, há uma importante fonte de energia, particularmente luminosa, que liberta uma potência total da ordem daquela emitida pela nossa galáxia. Na imagem, é possível ver estrelas brilhantes, poeira escura e gás interestelar rodando rapidamente em torno do cerne da NGC 5033, que aparece ligeiramente deslocado por um buraco negro supermassivo. Este deslocamento pode ser o resultado da NGC 5033 ter se fundido com uma outra galáxia em algum momento nos últimos bilhões de anos. A imagem acima foi feita pelo telescópio espacial Hubble em 2005. A NGC 5033 mede aproximadamente 100.000 anos-luz e é tão distante de nós que a vemos como ela existia há aproximadamente 40 milhões de anos. 
Fonte: NASA

O buraco negro da Via Láctea está ejetando bolas de tamanho planetário

Esta impressão de artista retrata uma coleção de objetos de massa planetária "cuspidos" do Centro Galáctico a velocidades na ordem dos 10.000 km/s. Estas bolas cósmicas formaram-se a partir de fragmentos de uma estrela que foi destruída pelo buraco negro supermassivo da Galáxia.Crédito: Mark A. Garlick/CfA

A cada poucos milhares de anos, uma estrela azarada vagueia demasiado perto do buraco negro no centro da Via Láctea. A poderosa gravidade do buraco negro rasga a estrela, chicoteando uma longa corrente de gás para fora. Isto podia ser o fim da história, mas não é. Uma nova investigação mostra que não só o gás se pode reunir em objetos de tamanho planetário, como esses objetos são então lançados por toda a Galáxia num jogo cósmico de arremesso. Uma única estrela despedaçada pode formar centenas destes objetos de massa planetária. Nós perguntámo-nos: para onde é que vão? Quão perto chegam eles de nós? Desenvolvemos um software para responder a estas questões," afirma Eden Girma, autora principal do estudo, estudante da Universidade de Harvard e membro do Instituto Banneker/Aztlan.

Girma vai apresentar os seus achados amanhã numa sessão de cartaz e na sexta numa conferência de imprensa durante uma reunião da Sociedade Astronómica Americana. Os cálculos de Girma mostram que o mais próximo destes objetos de massa planetária poderá estar até algumas centenas de anos-luz da Terra. Teria uma massa algures entre Neptuno e vários planetas Júpiter. Brilharia também do calor da sua formação, apesar de não ser brilhante o suficiente para ser detetado por levantamentos anteriores. Os instrumentos futuros, como o LSST (Large Synoptic Survey Telescope) e o Telescópio Espacial James Webb, poderão ser capazes de avistar estes distantes e estranhos objetos.

Ela também descobriu que a grande maioria dos objetos de massa planetária - 95% - deixará a Galáxia inteiramente devido às suas velocidades de aproximadamente 10.000 km/s. Dado que a maioria das outras galáxias também têm buracos negros gigantes nos seus núcleos, é provável que o mesmo processo ocorra também nelas. "Outras galáxias como Andrómeda estão a 'cuspir' estes objetos constantemente na nossa direção," comenta o coautor James Guillochon do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica.

Embora possam ser de tamanho planetário, estes objetos seriam muito diferentes de um planeta normal. São literalmente feitos de material estelar e, dado que podem desenvolver-se a partir de partes diferentes da antiga estrela, as suas composições podem variar. Também se formam muito mais rapidamente do que um planeta normal. É preciso apenas um dia para o buraco negro destruir a estrela (num processo conhecido como ruptura de marés), e apenas cerca de um ano para os fragmentos resultantes se aglomerarem novamente. Isto contrasta com os milhões de anos necessários para formar, a partir do zero, um planeta como Júpiter.

Uma vez lançado, um destes objetos levaria cerca de um milhão de anos até chegar à vizinhança da Terra. O desafio será diferenciá-los dos planetas flutuantes que são criados durante o processo mais mundano de formação estelar e planetária. Apenas um entre mil planetas flutuantes será um destes 'bichinhos' de segunda geração," conclui Girma.
Fonte: Havard-Smithsonian-Center for Astrophysics

Uma explosão que poderá mudar o céu noturno

V838 Monocerotis, uma estrela "sem graça" que em janeiro de 2002 tornou-se subitamente 600.000 vezes mais luminosa do que o nosso Sol, tornando-se temporariamente na estrela mais brilhante da nossa Via Láctea. É, possivelmente, uma nova vermelha.Crédito: NASA, ESA e H.E. Bond (STScI)

Os pesquisadores Larry Molnar, da Faculdade Calvin, Karen Kinemuchi, do Observatório de Apache Point, e Henry Kobulnicky, da Universidade de Wyoming, todos nos EUA, previram uma explosão que deve causar uma mudança visível a olho nu no céu noturno em 2022.  “É uma chance de um em um milhão prever uma explosão”, disse Molnar. “Nunca aconteceu antes”. A previsão é de que uma estrela binária (duas estrelas orbitando uma a outra) conhecida como KIC 9832227 irá se fundir e explodir em 2022, com margem de erro de cerca de um ano. Neste ponto, a estrela aumentará seu brilho dez mil vezes, tornando-se uma das mais brilhantes no céu por um tempo. 
Ela será visível como parte da constelação do Cisne, e adicionará uma estrela ao padrão reconhecível da cruz do norte. A pesquisa de Molnar começou em 2013. Ele estava participando de uma conferência de astronomia quando a cientista Karen Kinemuchi apresentou seu estudo sobre as mudanças de brilho da estrela, concluindo com uma pergunta: seria uma pulsante ou uma binária?
Também estava presente na conferência o então estudante da Faculdade Calvin Daniel Van Noord, assistente de pesquisa de Molnar. Ele fez algumas observações da estrela, sobre como sua cor se correlacionava com o seu brilho, determinando que era definitivamente uma binária. Na verdade, ele descobriu que era uma binária de contato, na qual as duas estrelas compartilham uma atmosfera comum, como dois amendoins compartilhando uma casca. Van Noord determinou um período orbital preciso a partir de dados de satélite, ficando surpreso ao descobrir que era ligeiramente inferior (pouco menos de onze horas) ao mostrado por dados anteriores.
Este gráfico mostra a forma do sistema binário de contacto KIC 9832227, à medida que a estrela mais pequena eclipsa parcialmente a maior. Para efeitos de escala, a estrela maior tem um raio 40% maior que o do Sol. O plano orbital está inclinado 53º em relação ao nosso ponto de vista. Crédito: Larry Molnar
Esse resultado trouxe à mente o trabalho publicado pelo astrônomo Romuald Tylenda, que estudou arquivos observacionais para ver como uma outra estrela (V1309 Scorpii) se comportou antes de explodir inesperadamente em 2008. O registro de pré-explosão mostrou uma estrela binária de contato com um período orbital decrescente a uma taxa de aceleração. Para Molnar, esse padrão de mudança orbital foi uma “pedra de Roseta” fundamental para interpretar os novos dados.
Ao observar a mudança de período prosseguir de forma acelerada em 2013 e 2014, Molnar fez a previsão de que a KIC 9832227 poderia estar seguindo os passos da V1309 Scorpii. Antes de levar a hipótese muito a sério, no entanto, os pesquisadores precisavam excluir outras interpretações, mais mundanas, dessa mudança de período.
Nos dois anos que se seguiram, Molnar e sua equipe realizaram dois fortes testes observacionais das interpretações alternativas. Primeiro, observações espectroscópicas descartaram a presença de uma estrela companheira com um período orbital maior que 15 anos. Em segundo lugar, a taxa de diminuição do período orbital dos últimos dois anos seguiu a previsão feita em 2015 e agora excede a mostrada por outras binárias de contato.
Molnar agora afirma que devemos levar a hipótese a sério e usar os próximos anos para estudar a estrela intensamente. Para esse fim, Molnar e seus colegas estarão observando KIC 9832227 em toda a gama de comprimentos de onda. O pesquisador diz que este é o começo de uma história que se desenrolará ao longo dos próximos anos, e as pessoas de todos os níveis podem participar.
“O tempo orbital pode ser verificado por astrônomos amadores”, disse Molnar. “É incrível o equipamento que os amadores têm. Eles podem medir as variações de brilho com o tempo desta estrela de 12ª magnitude à medida que ela eclipsa e ver por si mesmos se continua na programação que estamos prevendo”.
Fontes: Sky e Telescope
Phys